sexta-feira, 23 de julho de 2021

ebiruzek esporte 7 - Rio 2016 deixou de legado a maior tradição olímpica do século XXI.

 Os jogos olímpicos modernos, idealizados pelo barão de Coubertin no final do século XIX, seguem sendo o maior evento esportivo do planeta. Nenhuma instituição se mantém tão relevante por tanto tempo sem desenvolver símbolos fortes e tradições sólidas, que repetidas a cada oportunidade, dão aos envolvidos a sensação de continuidade e pertencimento a algo maior. No caso dos jogos em questão, essas tradições e símbolos constroem o que pode ser resumido como "espírito olímpico".

Os jogos do Rio 2016, tão criticados por não deixarem para a cidade maravilhosa um legado que os justificassem, deixaram para o esporte e para a comunidade olímpica uma nova tradição, já consagrada. Trata-se simplesmente da maior tradição olímpica do século XXI: o "Besuntado da Cerimônia de Abertura". 

O público que assistia à abertura dos jogos em 2016 ficou absolutamente extasiado quando o atleta de taekwondo Pita Nikolas Taufatofua, porta-bandeira de Tonga, adentrou o gramado do Maracanã seminu e brilhando sob as luzes do estádio, completamente besuntado de óleo. O "Besuntado de Tonga", como ficou conhecido, foi o grande assunto daquela noite, ofuscando Vanderlei Cordeiro de Lima que acendeu a Pira Olímpica. Praticamente uma versão boa daquele padre maluco de 2012.

O que parecia ser apenas mais um momento divertido, se transformou em algo muito maior. Em 2018 o Besuntado de Tonga atacou novamente: repetiu o look "dorso nu e muito óleo", mas dessa vez numa proibitiva temperatura de -10º, na abertura dos jogos de inverno de PyeongChang, onde competiu no esqui. Estava consagrada a nova tradição olímpica.

Besuntado de Tonga no frio de PyeongChang - Foto: KAI PFAFFENBACH / REUTERS

Hoje o mundo assitiu a abertura dos jogos de Tóquio, tão diferente de todas as outras pelo momento trágico que o mundo atravessa. Para além da curiosidade sobre como seria a cerimônia neste contexto, sem público nas arquibancadas e com elenco das apresentações reduzido, todos se perguntavam "veremos o Besuntado de Tonga outra vez?". Os pontos altos do evento foram exatamente os que revelaram quem acenderia a pira olímpica (maravilhosa a escolha por Naomi Osaka) e a entrada do porta bandeira de Tonga. Mantendo a tradição, o rapaz veio a caráter: pouca roupa e muito óleo.

Tradição, porém, implica em continuidade. E tudo parece seguir no rumo certo. O mundo ficou maravilhado com o surgimento do remador Riilio Ri, porta-bandeira de Vanuatu, igualmente pouco vestido e muito oleoso. Tudo indica que o Besuntado de Tonga encontrou seu sucessor em outra ilha do Pacífico e que a tradição do "Besuntado da Cerimônia de Abertura" terá vida longa. Por mim tudo bem.

Besuntados em Tóquio, tradição está mantida! - Foto: Reprodução

Voltamos a qualquer momento com novas informações.

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