domingo, 8 de agosto de 2021

ebiruzek esporte 13 - acabou!

 O frequentador mais atento desta birosca já reparou que evitei tratar aqui de resultados esportivos. Não que eu não tenha comemorado demais com cada medalha brasileira, ao contrário. Cheguei ao ponto de vibrar loucamente - e até abrir uma cerveja - vendo duas patricinhas passeando de barco. Aqui neste espaço, porém, procurei escrever (com menos frequência do que gostaria, inclusive) sobre as histórias que acontecem ali pelas brechas, nos cantinhos, enquanto a maioria dos olhares estão voltados para os grandes nomes e grandes feitos. Essa deve ser a linha por aqui em todos os assuntos, é como gosto de olhar o mundo.

Há os casos, porém, onde a história transborda a brecha e toma conta do todo. Rayssa Leal chegou como uma grande personagem em Tóquio e voltou ao Brasil como uma lenda olímpica. Quem não se derreteu como manteiga no pão quente vendo e/ou ouvindo Rebeca Andrade (destaque para a entrevista dela com Karine Alves no SporTV) está morto por dentro. E o que dizer da participação de Hebert Conceição, que chegou sem nenhuma badalação, apontado como um nome promissor para 2024 e que nocauteou nossos corações com o desabafo "eu mereço pra caralho!" ao garantir a vaga na semifinal (e consequentemente uma medalha) olímpica, para depois nocautear o ucraniano, aí sim com um belíssimo soco na cara, na conquista do ouro?

Assim como na vida, contudo, nem só de coisas boas são feitos os jogos olímpicos. Comoveu o mundo o drama de Simone Biles. A escolha dela de abrir mão de disputar provas (para as quais era favoritíssima), quebrou um paradigma e inaugurou um novo tempo no esporte mundial. Até 2021 o ideal de atleta era Gabriela Andersen e seu exemplo de ir até o fim, superando qualquer dificuldade e ignorando qualquer possível consequência. Biles vira, a partir de agora, a referência para que uma nova geração de atletas possa escolher priorizar a própria saúde, mesmo que isso signifique deixar de conquistar medalhas olímpicas. Um feito que nenhum salto pode superar.

Gabriela Andersen nas Olimpíadas Los Angeles, em 1984 — Foto: Focus on Sport/Getty Images


Outro destaque triste dos jogos foi o sérvio Novak Djocovid, digo, Djokovic. Como se não bastasse ser um notório negacionista e anti-vacinas, o rapaz colecionou presepadas em Tóquio. O roteador de covid resolveu falar sobre a escolha de Biles de não disputar algumas provas, confirmando a tese de que boca de otário é como fralda de neném. Dentre outras coisas, o moço disse que "a pressão é um privilégio" e "se quer estar no topo, é melhor aprender a lidar". Horas depois da declaração ele viria a estraçalhar sua raquete com pancadas no chão, ao perder a disputa da medalha de bronze no individual. Em seguida meteu um migué para abandonar a competição de duplas mistas, tirando de sua parceira Nina Stojanovic a chance de disputar uma medalha. Feitos que nenhum título de Grand Slam pode redimir.

O que sobrou da raquete de Djokovic - Foto: Tiziana Fabi / AFP

E como tudo que é bom dura pouco, as Olimpíadas de Tóquio acabaram como num piscar de olhos. No quadro de medalhas o Brasil quebrou seu recorde e realizou sua melhor participação da história. Conquista que se deu apesar do desmonte sistemático das políticas públicas para o esporte, que pode ser resumido pela extinção do Ministério dos Esportes. Nos resta agora esperar pelos jogos de Paris 2024, torcer para que até lá tenhamos superado a pandemia e que nossos atletas consigam desempenhar tão bem quanto fizeram no Japão.

E por falar em Paris 2024, termino este texto já pensando na cerimônia de abertura dos próximos jogos. Lanço aqui uma ideia e inauguro uma campanha, contando desde já com o apoio do amigo leitor. Quero Isaquías Queiroz como nosso porta-bandeira nos próximos jogos e mais do que isso: Isaquías como o BESUNTADO BRASILEIRO em Paris, mantendo a tradição olímpica iniciada nos jogos Rio 2016.

Façamos esta ideia chegar ao Isaquías e ao COB.

Voltamos a qualquer momento com novas informações.

domingo, 1 de agosto de 2021

ebiruzek esporte 12 - O futebol é como a vida: injusto pra cacete.

 A seleção feminina de futebol foi eliminada dos jogos de Tóquio na última sexta-feira (30), nas quartas de final da competição. A derrota nos pênaltis diante da seleção do Canadá, após empate em 0x0, selou o destino de Marta e cia. Uma queda precoce e melancólica, após um ciclo olímpico onde finalmente tiveram o mínimo: boas condições de preparação e uma treinadora de ponta no banco de reservas.

Eu sou absolutamente contra a ideia de justiça no esporte e é por isso que o futebol é meu esporte favorito. Nele, como em nenhum outro, times piores conseguem bater os melhores, equipes de clubes absolutamente bagunçados e amadores superam os times dos clubes que são exemplos de gestão. Vale, no frigir dos ovos, na bacia das almas, o onze contra onze, quem deixou mais dentro de campo nos noventa minutos. Isso, dentre outras coisas, que torna o futebol tão apaixonante.

 Mas desta vez, não. Desta vez eu estava agarrado à necessidade de que se fizesse justiça. Não aconteceu. Nem me refiro ao jogo contra as canadenses. Ali as brasileiras podiam ter feito mais, mas fizeram um jogo igual. Nos pênaltis, levou quem teve mais competência na disputa. A injustiça em questão é muito maior.

Formiga foi ao Japão disputar sua sétima olimpíada. Única jogadora em todo o mundo que participou de todas as edições desde que a modalidade passou a fazer parte dos jogos, em Atlanta 1996. Antes mesmo da estreia, ela já havia anunciado que seria sua última disputa olímpica. Vê-la em campo é em alguma medida ver Meg, Kátia Cilene, Sissi, Pretinha e todas daquela geração dos anos 90. Mulheres que andaram (e passaram toda a sorte de perrengues) para que a geração de Cristiane e Marta pudesse correr.

Sissi e Formiga, na Copa do Mundo de 1999 - Foto: AFP/FIFA

Por tudo o que fez e por tudo o que representa para o futebol, Formiga merecia demais voltar para casa com uma medalha olímpica. E não qualquer medalha. Se houvesse justiça, no futebol ou na vida, essa volta seria com o ouro no peito. Mas não há.

Seleção Brasileira em Atlanta 1996 — Foto: Arquivo Pessoal/Nenê

Apesar de não ter no currículo o lugar mais alto do pódio em olimpíadas, Formiga é gigante. Uma das maiores de todos os tempos. Seu nome está gravado de forma indelével na história do Futebol. Diante dito, deixo meu veredito: se Formiga não tem um ouro olímpico, azar das Olimpíadas.

Voltamos a qualquer momento com novas informações.