A seleção feminina de futebol foi eliminada dos jogos de Tóquio na última sexta-feira (30), nas quartas de final da competição. A derrota nos pênaltis diante da seleção do Canadá, após empate em 0x0, selou o destino de Marta e cia. Uma queda precoce e melancólica, após um ciclo olímpico onde finalmente tiveram o mínimo: boas condições de preparação e uma treinadora de ponta no banco de reservas.
Eu sou absolutamente contra a ideia de justiça no esporte e é por isso que o futebol é meu esporte favorito. Nele, como em nenhum outro, times piores conseguem bater os melhores, equipes de clubes absolutamente bagunçados e amadores superam os times dos clubes que são exemplos de gestão. Vale, no frigir dos ovos, na bacia das almas, o onze contra onze, quem deixou mais dentro de campo nos noventa minutos. Isso, dentre outras coisas, que torna o futebol tão apaixonante.
Mas desta vez, não. Desta vez eu estava agarrado à necessidade de que se fizesse justiça. Não aconteceu. Nem me refiro ao jogo contra as canadenses. Ali as brasileiras podiam ter feito mais, mas fizeram um jogo igual. Nos pênaltis, levou quem teve mais competência na disputa. A injustiça em questão é muito maior.
Formiga foi ao Japão disputar sua sétima olimpíada. Única jogadora em todo o mundo que participou de todas as edições desde que a modalidade passou a fazer parte dos jogos, em Atlanta 1996. Antes mesmo da estreia, ela já havia anunciado que seria sua última disputa olímpica. Vê-la em campo é em alguma medida ver Meg, Kátia Cilene, Sissi, Pretinha e todas daquela geração dos anos 90. Mulheres que andaram (e passaram toda a sorte de perrengues) para que a geração de Cristiane e Marta pudesse correr.
![]() |
| Sissi e Formiga, na Copa do Mundo de 1999 - Foto: AFP/FIFA |
Por tudo o que fez e por tudo o que representa para o futebol, Formiga merecia demais voltar para casa com uma medalha olímpica. E não qualquer medalha. Se houvesse justiça, no futebol ou na vida, essa volta seria com o ouro no peito. Mas não há.
| Seleção Brasileira em Atlanta 1996 — Foto: Arquivo Pessoal/Nenê |
Apesar de não ter no currículo o lugar mais alto do pódio em olimpíadas, Formiga é gigante. Uma das maiores de todos os tempos. Seu nome está gravado de forma indelével na história do Futebol. Diante dito, deixo meu veredito: se Formiga não tem um ouro olímpico, azar das Olimpíadas.
Voltamos a qualquer momento com novas informações.

Nenhum comentário:
Postar um comentário